A Sombra do Príncipe 6 - Fanfic Senhor dos Anéis


Peamaps 220312 (170612)*
Capítulo 6
N/A
*17 de junho de 2012 – Desculpe a demora, de coração. Dedicado à amiga Celi que mora no meu coração, um anjo encarnado também pela inspiração e força que me dá.
Originalmente tentei continuar no dia 22 de março mas fiquei um tempão olhando para o open office writer aberto e nada, mas nada mesmo – vinha. Espero que leiam e até gostem da continuação. Para quem acompanha, não se preocupe que até hoje não deixei nenhuma fanfic sem terminar, e o hiato mais longo foi o de 4 meses sem conseguir continuar em Caçada aos Elfos (esta até que foi curta! 3 meses).
Vocês não sabem como os reviews foram importante para mim continuar sonhando e imaginando mais tramas para esta história, é por vocês que ela continua. Quando não temos mais inspiração por nós mesmos, é pelos outros que devemos trabalhar. Obrigada e obrigada!
Ps: Não fiquem com muita raiva do personagem que deveria ser herói, ele é no original mas aqui será um crápula, e para estragar a surpresa não vou contar quem é mas não estou falando do Thranduil.
Vocês viram novas fotos do novo Legolas? ...Vocês gostaram?
Beijos! Segue a fic...
Haldir ficou olhando para a porta, agora trancada, por um bom tempo. Após ouvir o clique ele correu até o corredor procurando quem fora a visita inesperada aos aposentos de seu protegido, mas o estranho tiveram a vantagem e por isso tempo para fugir. O corredor coberto pela escuridão foi tudo o que ele encontrou, então Haldir retornara ao quarto em busca de uma tocha mas ao voltar à sua busca viu que já era tarde. Agora ele estava sentado na cama de Legolas, olhando para a porta e cenho franzido, preocupado com o que aquilo significava.
Ficou ali por muito tempo, a intimidade que compartilhava com seu senhor permitindo que ele sentasse assim em sua cama de forma tão casual, como se estivesse em seu próprio quarto.
Foi a batida na porta que o fez voltar de suas divagações.
-Haldir? Por que a porta está trancada?
O guarda real correu para a porta e apressou-se em destrancá-la. Os belos olhos azuis de Legolas, brilhantes até mesmo na escuridão estavam arregalados e olhavam com confusão.
-Perdoe-me Legolas. Eu não me lembro de ter fechado, - mentiu.
Legolas entrou descartando sua túnica ao chão distraído. Haldir seguiu atrás dele pegando as roupas que iam caindo. Quando o príncipe descartou-se de sua calça, Haldir pegou-a e se virou em direção oposta. Ele ouviu Legolas mergulhando e soltando um suspiro ao cobrir-se com a água quente.
-Quer que eu o ajude à lavar os cabelos? - Haldir indagou em voz alta.
Ele foi agraciado pela risada lírica do príncipe:
-Claro que não. Não sou mais criança Haldir, lembra-se?
Haldir consentiu com a cabeça, embora não pudesse ser visto. Decidiu que ficaria ali até colocar Legolas em sua cama para dormir. A sensação de estar sendo vigiado só piorara ao encontrar um visitante inesperado, e ele se certificaria que Legolas tivesse sua porta trancada antes que voltasse para seu próprio quarto, nem que para isso precisasse trancar seu protegido pelo lado de fora.
A sua vida inteira Haldir protegeu Legolas como se tivesse nascido somente para isso, mas ele não se cansava. Não sabia se acontecera quando ele vira o pequeno bebêzinho loiro chorar pela primeira vez e sua mãe envolvê-lo em seus braços também aos prantos, ou quando viu o olhar que Thranduil lançou ao próprio filho quando perdeu sua rainha mas desde então Haldir não teve tempo para mais nada. Ou talvez fosse porque... não, ele não pensaria muito a fundo. Do que adiantaria, e ele já havia se decidido quanto a esse assunto, tão secreto, até mesmo para ele mesmo.
Se havia algo que Haldir sabia que possuía era autocontrole, e ele conseguia sempre parar uma linha de pensamento, e assim o fez.
Legolas saiu da ala de banhos com seus cabelos molhados, tentando secá-los na toalha. Ele vestia um robe branco de cetim que brilhava à luz do luar.
-Venha, deixe-me ajudá-lo. - Haldir se postou atrás dele.
Legolas suspirou resignado:
-Obrigado, mas realmente não é necessário.
Os dois ficaram em silêncio enquanto o guarda secava as longas madeixas loiras o melhor que podia.
-Haldir? - Legolas começou de repente.
-Hum? - O elfo respondeu distraído.
-Você já conhecia o Aragorn?
Haldir analisou a pergunta preocupado.
-Não, apenas agora, com sua chegada... Por que?
-Ele... me intriga.
Haldir sentiu seu estômago descer um pouco e aguardou, mas Legolas não disse mais nada e não era respeitoso de sua parte perguntar. Legolas sempre vinha a ele quando precisava.
-Está com sono Legolas?
-Estou sim, você não?
-Bem... - Haldir percebeu que estava exausto mas ao mesmo tempo tão terrivelmente preocupado que ele sabia que ficaria com insonia nesta noite. - Não. Eu vou demorar à dormir, se importa se eu ficar aqui... lendo?
-Claro que não. - Legolas sorriu alegre.
Haldir observou o sorriso por um tempo, então fez uma leve reverência e trouxe uma poltrona confortável para perto da cama do príncipe. Neste momento houve um farfalhar de tecidos e Haldir abriu um livro em seu colo, de cabeça baixa. Conhecendo todos os costumes após séculos de convivência, Haldir sabia que Legolas vestia-se em seu pijama. Sabia também a hora em que ele estava completamente vestido e marcando a página do livro novamente, ele elevou seu olhar. Haldir sorriu, percebendo que na hora de dormir Legolas sempre lhe lembrava a criança de muito tempo atrás.
-O que foi? - Legolas sorriu também, entrando debaixo de suas cobertas de forma graciosa.
-Você não muda. Lembrei-me de quando era criança e se preparava para dormir.
-Você sempre me contava histórias.
Haldir sorriu, concordando.
Legolas apoiou as mãos embaixo de seu rosto enquanto deitava-se de lado. O olhar era o mesmo de quando o príncipe era apenas um elfinho: havia tanta confiança e pureza neles. Haldir sentiu seus olhos lacrimejarem mas aguentou firme.
-Está tudo bem com você Haldir? - Legolas franziu a testa.
-Claro, claro. Durma agora meu príncipe. Eu estarei aqui quando acordar.
Legolas queria fazer compania à Haldir, mas estava exausto e contra sua vontade seus olhos começaram a perder foco. Pouco antes de cair em sono profundo, ele conseguiu dizer:
-Eu sei que vai...
Na manhã seguinte os dois seguiram até o salão de jantar. Os elfos de Rivendell já estavam lá e pelo jeito aguardavam sua chegada para que pudessem comer. Legolas agradeceu a gentileza:
-Seu filho é muito perceptivo Thranduil, - Elrond elogiou com um acenar de cabeça. -Você deve ter orgulho em ter um filho que claramente nasceu para ser príncipe.
Legolas ruborizou e a todo custo não olhou para seu pai, mas por dentro morreu de curiosidade para ver a expressão do duro elfo que jamais o elogiou. Será que alguma vez seu pai já sentiu orgulho dele?
Como se lesse seus pensamentos, o que talvez ele quase o fizesse, e parecendo sentir o que lhe ia ao peito, Haldir pousou sua mão no braço de Legolas e este soltou os ombros, sem notar que havia ficado tenso.
Houve um silêncio desconfortável. Thranduil grunhira em aprovação mas Elrond esperara algo mais do rei, o que claramente não viria. Então todos começaram à comer. Legolas sentiu olhares sobre ele. Ele não viu Elladan o observando com pena e tristeza, mas seus olhos cruzaram com os de Aragorn. Ele queria desviar mas a intensidade com que o humano o observava o paralisou. Aragorn entortou um canto dos lábios e Legolas sentiu um frio estranho percorrer sua espinha. De alguma forma ele sentia-se pertencer ao humano e esse pensamento era atterrorizante.
Depois do café da manhã, os mais jovens visitantes de Rivendell foram treinar tiro ao alvo com flechas, acompanhados de um alegre Legolas e um sério Haldir. Notando a expressão do guarda, Elladan passou o braço por sobre seus ombros:
-Está tudo bem Haldir?
-Ah claro, está tudo bem sim. Estou só pensando na... fuga, de Legolas.
Elladan acenou a cabeça e sussurrou com jeito de conspiração:
-Não se preocupe, está tudo certo. Depois que partirmos, eu e Elrohir ficaremos nas bordas do reino e aguardaremos vocês, não importa quanto tempo leve.
Haldir consentiu e engoliu seco. O que aconteceria se Thranduil os pegassem? Será que ele chegaria ao ponto de matar o próprio filho?
270612 – N/a: Novamente tive de parar e muitos dias depois a inspiração voltou. Sei que é incômodo estas pausas e anotações mas escrevo-as para mim mesma :D
Escreva! E viaje de uma forma que filme algum poderá lhe proporcionar.
Haldir não continuou mergulhado em seus angustiosos pensamentos por muito tempo, eles foram treinar com o arco e a flecha e Legolas estava se mostrando naquilo que melhor fazia. Nem os gêmeos eram páreos para o Príncipe que atingia sempre o alvo e então atravessava a própria flecha e partindo-a no meio ao acertá-la novamente. O guarda real sorria com orgulho ao ver a cara dos gêmeos.
-Mal posso acreditar em seu talento Las, - começou Arwen, - se não estivesse vendo com meus próprios olhos. Pensei que Dan e Ro lhe ensinaria o que sabem!
Aragorn riu:
-Afinal eles tiveram milênios à mais que você para aprender.
Ao serem provocados os gêmeos empurraram o irmão humano em forma de brincadeira, primeiro Elladan e depois Elrohir, fazendo com que o herdeiro de Isildur fosse jogado de um lado para o outro.
-Os elfos de Rivendell se concentraram na arte da espada, enquanto aqui em Mirkwood procuramos mestrar o arco e a flecha. Começamos cedo, é possível ver crianças pequenas já treinando. - Legolas explicou com simplicidade.
-Ele está sendo modesto. - Haldir se aproximou de seu protegido. - Jamais houve arqueiro como Legolas, embora o rei Thranduil jamais tenha admitido isso.
-Realmente Legolas é muito bom. - Elladan disse distante. - Era a vez de quem agora?
Eles se entreolharam e Legolas viu algo se mover no canto de seus olhos. Logo todos os outros perceberam o movimento e se voltaram para Arwen. Ela tinha seu arco e flecha preparados e estava em pronta para atirar. O canto dos lábios de Aragorn entortaram em um meio sorriso e ele olhou de soslaio para Legolas.
Quando a flecha atingiu Arwen conseguiu não só fazer o mesmo que Legolas, partindo a flecha do Príncipe no meio mas como também arremeçando os restos para cada lado.
Legolas arregalou os olhos e prendeu a respiração. O queixo de Haldir caiu. Arwen nem notou-os e já preparava a próxima flecha para continuar seu treinamento.
-Nós temos uma elfa que também nunca se interessou muito por espadas. - Elladan disse orgulhoso e se voltou rindo para Legolas.
-Ah... Mas então vocês estavam salvando a melhor depois. - Legolas riu, lembrando-se que quando chegaram ali Elrohir havia dito a ordem em que eles ficariam para acertar o alvo.
Haldir não era muito pior que Legolas. Estando sempre ao seu lado, ele pode observar e até recebeu algumas aulas do Príncipe, que jamais guardava nada em segredo, não se importando em ser o melhor arqueiro como muitos diziam.
Os dias seguiram mais ou menos na mesma rotina. Legolas e Haldir procuravam entreter seus convidados com tarefas físicas e como bons elfos de Mirkwood eles amavam a natureza e estavam sempre na floresta ou perto dela, embora o perigo rondasse o reino. Eles estavam perto de mais de Dol Guldur e ali não era seguro. Sem contar com as aranhas gitantes.
Haldir não conseguia se divertir como todos os outros. Sempre sentindo que deveria manter uma respeitosa distância, ele sempre estava se afastando. Ele e Aragorn eram os únicos que sempre mantinham um olho ao redor deles, Haldir por ser um Guarda Real e Aragorn, pelo que contou a todos certa tarde, por ter vivido muito na natureza selvagem. Como guarda florestal Aragorn conseguia até 'sentir' quando havia silêncio demais, o que também significava perigo e não só quando os animais gritavam ou entravam em alvoroço.
Elladan e principalmente Legolas notavam o afastamento de Haldir e sempre iam buscá-lo. Haldir estava acostumado com Legolas fazer isso mas não lhe passou despercebido que Elladan era um elfo digno, e assim como Legolas não parecia carregar título algum tratando aqueles abaixo dele como se fosse um igual. Alegrava-lhe o coração que Legolas tivesse amigos assim pois muitos em Mirkwood agradavam o Príncipe somente por seu título, mas não foram poucas as vezes que ele entrou de repente em cantos obscuros e ouviu pedaços de conversas que davam à entender que muitos riam de Legolas. Ninguém o respeitava, tudo por culpa de seu pai. Eles ainda tratavam o Príncipe com falso respeito pois um dia ele talvez viesse à ser rei, embora a maioria acreditasse que o rei iria acabar matando ou deserdando o filho.
Com o tempo Haldir desistira de brigar. Ele apenas garantiu que Legolas jamais ouvisse as palavras maldosas e zombeiras que iriam ferir ainda mais sua alma de anjo, mas mesmo com todo seu zelo ele percebeu que com o passar dos anos Legolas se fechou mais e mais, confiando somente em Haldir. Algo lhe dizia que o Príncipe também pode ter escutado o que muitos pensavam dele de verdade. Toda a realidade de seu protegido era uma agonia para ele, que se importava, e Haldir já passou noites em claro pensando se deveria tentar manter Legolas em seus aposentos para evitar as pessoas. Ele conhecia Legolas melhor que à si mesmo e poderia tranquilamente entrete-lo durante um dia inteiro, e muitos outros, mas ao mesmo tempo ele sabia da sede de viver do Príncipe e que privá-lo de ver a natureza e tentar ser útil seria uma maldade. Legolas disfarçava bem mas apenas Haldir podia ver que a tristeza que lhe ia à alma apenas aumentou com o passar dos anos. Haldir faria qualquer coisa, pagaria qualquer preço para que Legolas fosse finalmente feliz. Se esse preço fosse fugirem de Mirkwood e que ele mesmo fosse então jurado de morte por traição, que assim fosse.
Haldir tinha grandes esperanças que Arwen aceitasse a diferença de idade e pudesse enxergar em Legolas o que ele mesmo via. Se Legolas se casasse com a filha de Elrond, então tudo terminaria perfeitamente, pois eles certamente jamais iriam poder voltar ali.
Haldir apenas queria que Legolas se sentisse verdadeiramente amado.
A visita da realeza de Rivendell estava claramente fazendo muito bem à aquele elfo que ele segurou nos braços quando era apenas um recém-nascido. Legolas parecia mais confiante e havia saído de sua melancolia. Haldir notou apenas que seu protegido tinha problemas para ser tocado. Ele notou quando Elladan passou o braço por sobre os ombros de Legolas e como o Príncipe pareceu estremecer um pouco, ou quando ele quase recuou quando Arwen tocou-lhe o braço. Exatamente por causa dos traumas de Legolas Haldir sempre evitou tocá-lo mas então se pegou pensando se fora essa uma boa decisão.
-Haldir?
Haldir retornou de seus pensamentos assustado. Legolas estava logo à seu lado e olhava-o preocupado.
-Oi Lass, não se preocupe comigo. - Haldir forçou um sorriso.
-Mas eu me preocupo, você está sempre angustiado quando pensa que não estou olhando. Acho que eu sempre o atrapalhei.
-Não pense assim! - Haldir arregalou os olhos. - Você não é um fardo, qualquer um se sentiria honrado em servi-lo. - Haldir pousou sua mão no ombro de Legolas e quase se arrependeu, até perceber surpreso que o Príncipe não se moveu dessa vez.
Por fim era chegada a hora da partida de tão agradável visitantes. Legolas sabia esconder bem sua tristeza, assim como seu nervosismo: sua vida jamais seria a mesma dali em diante. Haldir parecia uma sombra, seguindo seu protegido onde ele quer que fosse.
Thranduil estava aliviado com a partida de Elrond e seus filhos. Ele não suportava acolher um humano ali e além do mais toda a cortesia dedicada ao senhor de Rivendell estava sendo cansativo. Ele não era ele mesmo há muito tempo e agora poderia descansar.
Foi nesse instante que o Rei decidiu olhar para o filho. Legolas estremeceu como se a ação fosse física e tentou desviar os olhos, temeroso mas havia algo no olhar do pai que fez com que Legolas continuasse encarando-o. Havia algo errado, ele sabia. O Príncipe não fazia a mínima ideia do que era, mas certamente seu pai estava furioso com ele. Um brilho malévolo se fazia nos olhos do Rei, olhos que Legolas não herdara, sendo que os seus eram redondos e azuis com o os da mãe – assim contou-lhe Haldir.
-Até a próxima visita Legolas, - Elrohir o abraçou, então franziu o cenho intrigado pela forma rígida como Legolas estava, como se estivesse com medo. - Ficarei com saudades, meu amigo, até reencontrá-lo de novo. Obrigado por tudo. - Então lançou um olhar significativo para o Príncipe, mas o que recebeu em volta foi um ar atordoado. Ele então olhou para Haldir, que disse-lhe silenciosamente que ele iria cuidar bem de Legolas até que o gêmeo mais novo o visse de novo na fronteira.
-Você vai ficar bem? - Haldir perguntou preocupado.
Legolas procurou encorajar-se e respondeu com um sorriso que sim. De nada adiantaria agir como uma criança covarde; Haldir deveria acompanhar Elrond e sua companhia até os limites de Mirkwood, não havia outro jeito, por mais que ele não quisesse ficar à sós com seu pai.
Com o passar dos anos, ele mestrou tão bem a arte de atuar para Haldir que este acreditou nele, então montou em seu cavalo e partiu. Ao longe ele viu Haldir voltar-se para olhá-lo de novo, e então Elladan.
-Nos meus aposentos. Agora! - Thranduil disse-lhe ao pé do ouvido.
Legolas enrijeceu-se e então começou à tremer. Os dois seguiram pelos corredores, já escuros à não ser a luz das tochas acesas e a figura bem mais alta e larga do pai lhe pareceu mais assustadora do que nunca. Legolas engoliu seco. Seu cenho suava agora e suas mãos tremiam. Ele começava à sentir que suas pernas pareciam perder à força a cada passo que dava.
Thranduil finalmente chegou à porta de seu quarto e comandou para que o guarda à porta partisse. Legolas sentiu vontade de chorar, em pânico e o guarda olhou-o com pena e se foi, sem pestanejar. Quando o Rei fazia isso Legolas certamente iria receber algum tipo de castigo, e por mais que os rumores corressem à solta, Thranduil não espancava o filho abertamente.
A porta foi aberta e Legolas decidiu passar por ela, lentamente, tentando ganhar tempo mas assim que entrou à frente de seu pai sentiu a mão forte empurrá-lo pelas costas. Ele estava preparado, como sempre fazia quando ficava à sós com o monarca mas mesmo assim a força foi tanta que ele foi lançado ao chão. Legolas conseguiu ao menos colocar os braços à frente do rosto e não ir de cara no chão.
Ele sentiu uma dor aguda nas costelas e percebeu que estava sendo chutado.
-Ada! O que eu fiz? - Ele gritou curvando-se, mas logo se arrependendo pois colocou o rosto na direção dos pés de seu pai e um golpe certeiro atingiu-lhe o rosto.
Legolas gritou e levou as mãos ao rosto, sendo atingido novamente. Thranduil parecia gostar de lhe atingir nas costelas, onde não ficava visível mas doía imensamente.
-Ada, por favor. - Legolas pediu sem fôlego.
-Elrond ficou insistindo e insistindo para que eu deixasse você passar uma temporada com eles. Agora me diga, por que ele insistiria tanto?
-Eu não sei Ada, por favor!
-Não sabe? - Thranduil não esperou a resposta, desferindo novo golpe. Legolas estava tão exausto que não conseguia mais se defender. Estava aos poucos perdendo a consciência. -Você falou alguma coisa, eu sei que falou!
-Eu jamais iria manchar a sua honra, meu pai. - Um novo golpe.
Legolas sentiu sua nuca gelada. O quarto parecia estar ficando mais escuro e ele lutou para se manter acordado. A dor não mais o incomodava mas a pequena parte consciente de sua mente notou que seu pai ainda se movia, e ainda o agredia.
-Ada, por favor... -Legolas sussurrou.
Thranduil então deixou o corpo do filho ao chão e virou-se depressa, fazendo seu manto se esvoaçar com o movimento. Ele começou à abrir as portas do guarda-roupa e armários, em busca de algo. Ele se demorou na busca, e sua fúria não diminuía, mas deu tempo para Legolas ir recobrando suas forças. O Príncipe tentou se levantar mas seu braço não tinha forças para erguer seu tronco, suas pernas então estavam dormentes. Legolas gemeu com a dor que estava voltando com toda a força. Thranduil virou-se para olha-lo, alertado pela sua voz mas ao ver que Legolas continuava no chão, continuou com sua busca.
Passou-se muito tempo. Thranduil chegou até à sair do quarto. Legolas conseguiu se sentar mas não podia se levantar. Tudo doía ao menor movimento. Ele notou finalmente que as lágrimas corriam à solta e ergueu seus olhos para o alto, dirigindo seu pensamento ao Valar:
-Por que? Por que eu tenho que passar por isso? - Ele sussurrou.
Finalmente Thranduil retornou e Legolas observou-o assustado. Algo brilhara na mão do Rei e desaparecera logo depois. Legolas olhava da mão do pai para seu rosto, tentando entender o que estava para acontecer.
Foi quando ele viu. Uma adaga, certa vez pertencida à um Orc, estava na mão do Rei. Apenas um pequeno ponto nela reluzia pois o restante estava ofuscado e escuro, nenhuma arma Yrch era bem trabalhada ou bonita.
O pobre Príncipe começou à rastejar para trás, tentando fugir. Ele mal podia acreditar que seu pai era capaz de querer isso, mas ali vinha Thranduil com seu olhar mais terrível, com sua figura gigantesca se aproximando sem hesitação.
-Saes...*Ada...* - Legolas suplicou aos prantos.
Legolas estava muito fraco, com muita dor também, mas foi a enorme tristeza que o manteve ali como um cordeiro. Ele não tinha vontade de reagir. Talvez Mandos tivesse mais compaixão por ele, porque se fosse para viver em um mundo onde seu próprio pai poderia odiá-lo assim, então ele não queria mais ficar.
Então Legolas apenas pregou seus grandes olhos azuis nos de seu pai, aguardando o momento que a lâmina desgastada faria contato com seu peito. Em seu coração, uma paz repentina lhe tomou e ele aceitou seu destino, derrotado.
*Ada - Pai
*Saes – Por favor

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

0 comentários: